Servidores: Corrosão inflacionária causa apreensão

BSPF     –     19/12/2020

Corrosão inflacionária causa apreensão às afiliadas ao
Fonacate

Para o presidente do Fonacate e da Fenaud, Rudinei Marques,
as entidades precisam mobilizar suas bases para a campanha salarial de 2021:
“Temos que abrir diálogo com o governo. Os salários estão congelados, perdendo
mês a mês o seu poder de compra. Somente nos últimos doze meses, considerando o
IGP-M, que corrige os aluguéis, as perdas acumuladas chegam a 24,52%. E se não
houver ao menos a reposição inflacionária durante o governo Bolsonaro, isso só
poderá ocorrer em 2024″.

O processo inflacionário volta a preocupar dirigentes das
entidades de classe do funcionalismo. Segundo especialistas do Fonacate, as
perdas salarias acumuladas nos últimos anos chegam a 30%. O tema foi debatido
na Assembleia Geral Extraordinária do Fórum das Carreiras de Estado (Fonacate),
realizada 1 de Dezembro de 2020. 

De acordo com estudos do Sinal, de janeiro de 2010 a janeiro
de 2021, os servidores terão deixado de receber 19,9 salários. Isso por não ter
o reajuste inflacionário do período. 

“Em dez anos deixamos de receber cerca de dois salários por
ano”, compara Paulo Lino, presidente do Sinal e secretário-geral do Fonacate.
“Seria como se o funcionalismo recebesse anualmente, em vez dos treze salários
legais, apenas onze. Dois salários anuais têm sido a contribuição do
funcionalismo para o equilíbrio fiscal, cujas causas são outras, que não a
despesa com pessoal, e não são enfrentadas pelo governo”, completa. 

Bráulio Cerqueira, economista e presidente eleito do Unacon
Sindical, explica que no serviço público federal “as remunerações encontram-se
congeladas em termos nominais até dezembro de 2021. Até lá, com exceção dos
militares, a corrosão pelo IPCA desde a última reposição – em janeiro de 2017
ou janeiro de 2019, a depender do caso – somará 20% ou 12%, respectivamente,
isto se a inflação não acelerar no próximo ano”. 

Para o presidente do Fonacate e da Fenaud, Rudinei Marques,
as entidades precisam mobilizar suas bases para a campanha salarial de 2021:
“Temos que abrir diálogo com o governo. Os salários estão congelados, perdendo
mês a mês o seu poder de compra. Somente nos últimos doze meses, considerando o
IGP-M, que corrige os aluguéis, as perdas acumuladas chegam a 24,52%. E se não
houver ao menos a reposição inflacionária durante o governo Bolsonaro, isso só
poderá ocorrer em 2024″.

Reforma administrativa

Outro tema da pauta foi a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 32/2020, que trata da reforma administrativa. 

Os membros do Fonacate debateram uma proposta de texto
substitutivo ao projeto, que também está sendo elaborado em parceria com a
Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público (Servir Brasil). 

A questão da estabilidade, vínculos de experiência,
avaliação de desempenho, cargos típicos de Estado são os temas que mais
preocupam os servidores. O Fonacate e suas afiliadas já estão se preparando
para os debates da PEC 32 que devem iniciar no Congresso a partir de fevereiro
de 2021. 

Também na Assembleia foi aprovada a afiliação da Federação
Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) ao Fórum. O Fonacate
passa a ser composto por 35 entidades afiliadas.

Fonte: Fonacate

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