Pandemia de Covid-19 colocou 63% da força de trabalho federal em teletrabalho

BSPF     –     03/12/2020

Estudo da Enap aponta que servidores com filhos pequenos são
os que sentem maior queda de produtividade no teletrabalho, em tempos de
pandemia. Mais as mulheres que os homens. De forma geral, os principais
desafios são as distrações em casa e a falta de interação com colegas. A
relação de confiança entre chefes e empregados também é importante. A resposta
que mais apareceu foi que os funcionários se saem melhor quando os supervisores
acreditam neles

Nos meses de maio e junho, a Escola Nacional de
Administração Pública (Enap) – em parceria com a Universidade de Duke (sediada
nos Estados Unidos) e Ministério da Economia – fez uma pesquisa para
identificar alguns aspectos do trabalho remoto no contexto do serviço público
brasileiro. O estudo mostrou os maiores desafios que os servidores públicos
federais enfrentam.

Foram registradas mais de 36 mil respostas de servidores
públicos federais do país. Os resultados preliminares estão disponíveis para
consulta na Biblioteca Virtual da Enap e avaliam a média das percepções dos
entrevistados sobre produtividade e sintomas depressivos relacionados ao
trabalho com a adoção do teletrabalho por conta da pandemia. 

Os profissionais mais afetados com queda de produtividade
são os que têm filhos pequenos (menores de cinco anos). Essa diminuição de
rendimento não é tão expressiva quando os servidores têm crianças maiores ou
adolescentes. Já o fato de ter animais de estimação não ajuda e nem atrapalha o
desempenho profissional. 

Quando perguntados sobre o tempo que está sendo gasto em
determinadas atividades, a pesquisa revelou que o período de trabalho
considerado produtivo está abaixo do ideal: em uma escala de 0 a 12 horas, o
ideal seria 6,2 e está em 5,4. O desempenho também é inferior ao declarado
antes da pandemia (5,7). Já o tempo gasto em trabalho improdutivo aumentou,
passando de 3 horas antes da pandemia para 3,3 no pós-pandemia. 

Quando se compara homens com mulheres, elas expressam maior
dificuldade, com uma queda maior na produtividade (a cada hora trabalhada,
sentem que 24 minutos são improdutivos ante 12 minutos improdutivos registrados
por homens). De forma geral, entre os principais desafios no trabalho remoto
estão: as distrações que existem em casa e a falta de interação com colegas.
Também são apontados os problemas tecnológicos enfrentados e a falta de
delimitação da fronteira entre vida pessoal e profissional. 

Diferenciais para bom desempenho

Em relação aos elementos que auxiliam o ganho de eficiência
no trabalho à distância, o uso de tecnologias aparece como um importante
aliado. Os servidores que têm uma infraestrutura adequada para trabalhar – como
wi-fi, laptop exclusivo, ferramentas de teleconferência, softwares de
gerenciamento de tarefas – são mais produtivos. 

Outro achado interessante, destaca a Enap, se refere à
relação de confiança entre chefes e empregados. Quando perguntados sobre a
percepção geral do teletrabalho, a resposta que mais apareceu foi que os
funcionários se saem melhor quando os supervisores acreditam neles. “Como é
difícil monitorar o trabalho remoto, a confiança se torna um fator muito
importante para a produtividade profissional”, esclarece Cláudio Shikida,
coordenador-geral de pesquisa da Enap. 

Mesmo com desafios apontados na pesquisa, a maior parte dos
servidores apoia a política de trabalho remoto. Além disso, uma parte
expressiva espera poder trabalhar de maneira alternada após a pandemia,
equilibrando atividades nos órgãos públicos e em casa. Na opinião de Thais Cardarelli,
colaboradora externa da Universidade de Duke e Diretora Kayma Brasil, os dados
são muito úteis para embasar a gestão pública na adoção de medidas de retorno
seguro ao trabalho presencial. “Nós gostamos de nos sentir produtivos,
colaborando e contribuindo com nossa equipe. Então, se conseguirmos utilizar
ferramentas para auxiliar nesse aumento de produtividade será algo excelente
para os servidores e para o País”, ressalta. 

“No contexto de pandemia, com a necessidade do
distanciamento social, foi preciso adotar de maneira emergencial o trabalho
remoto. E a pesquisa de Duke nos trouxe dados muito importantes dessa fase, que
irão balizar as diretrizes do trabalho remoto e subsidiar a construção de novas
políticas públicas de gestão de pessoas no serviço público”, ressalta o
Secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, Wagner
Lenhart. 

Dados gerais

As informações da pesquisa foram coletadas por meio de
questionários online com servidores públicos. Esse estudo faz parte de uma
iniciativa maior da Universidade de Duke, que aplicou o mesmo questionário em
88 países, incluindo o Brasil. Esse esforço global conta com o apoio da
Universidade de Harvard e da organização não-governamental Kayma Brasil,
especialista em resolução de problemas complexos por meio de modelagem
comportamental.

Fonte: Blog do Servidor

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