Mulheres e servidores com filhos pequenos são mais impactados no teletrabalho

Estado de Minas    
–     04/12/2020

Mulheres e pessoas com filhos menores que cinco anos são os
que mais relatam perda de tempo produtivo no trabalho remoto, segundo pesquisa
realizada com servidores federais pelo Ministério da Economia em parceria com a
Universidade de Duke (EUA). 

Os dados são mais um retrato do desafio de mulheres e pais
de crianças menores conciliar as atividades, num momento em que o teletrabalho
se tornou peça-chave para muitas empresas e o próprio serviço público para
seguir funcionando na pandemia da covid-19. 

A pesquisa ouviu 16.765 mulheres, 15.586 homens e 33
servidores que não se identificaram com nenhum dos dois gêneros (como é o caso
de transgêneros, por exemplo). De acordo com os dados, as mulheres relataram
que cerca de 26 minutos são improdutivos a cada hora trabalhada, mais que o
dobro dos homens (12 minutos a cada hora trabalhada). Entre quem não se
identificou como nenhum dos dois, a perda é de quase 44 minutos por hora. 

Não é de hoje que as pesquisas mostram uma sobrecarga maior
de afazeres domésticos sobre mulheres. Embora o número de homens que dedicam
parte de seu tempo a essas tarefas esteja aumentando ano a ano, a disparidade
ainda existe. Em 2019, eles gastaram em média 11 horas por semana com esses
afazeres, incluindo o cuidado com crianças e idosos, enquanto as mulheres
gastaram uma média de 21,4 horas semanais, segundo o IBGE. A diferença existe
mesmo quando ambos estão empregados – ou seja, a maior parte da dupla jornada
fica com a mulher. 

A perda de produtividade no serviço público também foi maior
entre funcionários com filhos até 5 anos. O trabalho produtivo sofreu um
impacto de 42 minutos improdutivos a cada hora trabalhada, contra uma redução
de 16 minutos entre os que não têm filhos dessa idade. Nas demais faixas
etárias, a diferença de efeito de perda de horas produtivas entre quem tem ou
não filho foi menor. 

Apesar dos percalços, grande parte dos servidores declarou
desejo e disposição em equilibrar as horas de trabalho no escritório e em casa.
Antes da covid-19, quase 75% das horas eram trabalhadas na sede do órgão de
lotação do funcionário, e menos de 20% em casa. Na visão ideal no pós-covid, os
servidores gostariam de dedicar 48,38% das horas em casa e 44,20% no
escritório. 

De forma geral, a pesquisa aponta entre os principais
desafios no trabalho remoto as distrações que existem em casa, a falta de
interação com colegas, os problemas tecnológicos enfrentados e a falta de
delimitação da fronteira entre vida pessoal e profissional. 

“No contexto de pandemia, com a necessidade do
distanciamento social, foi preciso adotar de maneira emergencial o trabalho
remoto. E a pesquisa de Duke nos trouxe dados muito importantes dessa fase, que
vão balizar as diretrizes do trabalho remoto e subsidiar a construção de novas
políticas públicas de gestão de pessoas no serviço público”, ressalta o
Secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, Wagner
Lenhart. 

Sobre a percepção geral do teletrabalho, a resposta mais
frequente dos servidores é a de que…

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são mais impactados no teletrabalho

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