Funcionalismo: Corrosômetro projeta impactos do arrocho salarial

BSPF          23/12/2020

Agravamento da corrosão inflacionária. O próximo ano deverá
ser marcado pelo irracional prosseguimento do arrocho remuneratório sobre o
funcionalismo, que já dura mais de uma década. Segundo a mais nova atualização
do Corrosômetro, a defasagem salarial em relação a julho de 2010 já é de 20,5%,
enquanto que a estimativa da perda salarial acumulada corresponde a 21,1
salários deixados de receber no período de 10,5 anos. E, em janeiro de 2022, a
defasagem poderá bater em 25%, caso se confirme a inflação prevista para o ano
que vem.

A projeção leva em consideração a falta de qualquer reajuste
no próximo exercício, haja vista a vigência da Lei Complementar 173/2020,
sancionada em maio passado, que, sob a justificativa de prestar auxílio
financeiro a estados e municípios, congelou remunerações até dezembro de 2021.
À época da aprovação da matéria no Legislativo, lideranças das duas Casas e
representantes da equipe econômica do governo – aparentemente, desconhecendo
ou, quem sabe, não se importando com o arrocho indecente e continuado
instituído pelo próprio governo – afirmavam que a classe precisaria dar sua
cota de sacrifício diante do cenário adverso. O ministro da Economia, Paulo
Guedes, chegou a declarar que o servidor não poderia “ficar em casa trancado
com geladeira cheia, assistindo a crise”. 

O discurso se repete. Com a pressão pela continuidade do
auxílio emergencial e sem um projeto econômico por parte do Planalto, crescem
as possibilidades de novas medidas de ajuste. Conforme informou a edição 209 do
Apito Brasil, na última segunda-feira, 14 de dezembro, a entrega do parecer da
Proposta de Emenda à Constituição 186/2019, conhecida como PEC Emergencial,
ficou mesmo para o início do próximo ano. 

No entanto, veículos da imprensa apontam que esta
postergação pode servir para endurecer ainda mais o texto da matéria, uma vez
que relatório extraoficial do senador Márcio Bittar (MDB/AP) – que circulou
pelo Parlamento nas últimas semanas – havia excluído a previsão de corte de jornada
e salários das carreiras públicas. O conteúdo do parecer não teria agradado ao
ministro Guedes. 

“A ideia é que o texto avance no Parlamento com a
possibilidade de redução temporária em 25% na jornada e salário de servidores
públicos pelos estados, municípios e União durante períodos de crise”, aponta
reportagem do portal O Dia. Ao vislumbrar unicamente o aspecto financeiro, os
defensores da ampliação da política de arrocho desconsideram que justamente em
períodos de crise, como o atual, a demanda pelos serviços públicos aumenta de
maneira significativa. Não só os servidores, mas a população, em especial as
camadas mais pobres, também será punida. 

É preciso manter a vigilância, pois os nossos salários
continuam na berlinda e sujeitos à narrativa que, ano a ano, vem aprofundando
as perdas.

Fonte: Sinal

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