AGU garante legalidade da suspensão temporária de adicionais a servidores durante teletrabalho

BSPF          20/09/2020

Vitória da AGU abre precedente em defesa de norma que, em
razão da pandemia, suspende adicionais de insalubridade e noturnos durante
atividades remotas

A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve duas vitórias
relevantes no Tribunal Regional Federal da 5ª Região relativas ao pagamento de
adicionais aos servidores públicos em razão do trabalho remoto implantado com a
pandemia da Covid-19. Em ambos os casos, a disputa surgiu após associações de
servidores entrarem na Justiça questionando instrução normativa do Ministério
da Economia que suspendeu temporariamente o pagamento dos adicionais
ocupacionais, noturno e da gratificação por atividades com raio-X, em meio às
medidas de prevenção do novo coronavírus. 

No primeiro caso, o Sindicato dos Trabalhadores em Serviço
Público da Paraíba entrou com recurso após a Justiça Federal rejeitar o pedido
da entidade para manter o pagamento dos adicionais mesmo durante as atividades
remotas. No caso segundo caso, a Associação dos Docentes da Universidade
Federal de Pernambuco já havia obtido decisão favorável, em primeira instância,
ao alegar direito aos pagamentos para não haver prejuízos à remuneração dos
funcionários. 

Mas a AGU entrou com agravo de instrumento no TRF-5
solicitando que a suspensão dos pagamentos fosse mantida. Segundo a
Advocacia-Geral, é necessário que os servidores trabalhem efetivamente nas
condições previstas pela lei para que haja o pagamento dos adicionais de
insalubridade, periculosidade, irradiação ionizante e gratificação por
exposição a substâncias radioativas, o que na pandemia, não é possível, uma vez
que os trabalhadores estão executando suas atividades remotamente. 

O procurador federal Leonardo Barbosa do Rêgo, integrante do
Subnúcleo de Ações Prioritárias do núcleo de Matéria Administrativa da
Procuradoria-Regional Federal da 5ª Região, explica que as mudanças foram
implementadas para regulamentar a aplicação da lei, adaptando-a às situações
excepcionais de teletrabalho. “Não faz sentido a Administração Pública pagar um
valor se não há a contraprestação desse serviço na forma como a lei determina.
Há o entendimento que a atividade laboral continuou, mas sob outras condições.
Se há o trabalho remoto, não há submissão às condições previstas na
legislação”, afirma. 

De acordo com a AGU, tanto as leis trabalhistas quanto o
Regime Jurídico dos servidores preveem a cessação dos pagamentos quando houver
o fim dos riscos à saúde e à integridade. Além disso, a medida evita o
pagamento de verbas em descompasso com a legalidade. 

“Para ter direito ao recebimento do adicional ocupacional, o
servidor teria que ser avaliado em seu novo ambiente de trabalho, com expedição
de laudo técnico, elaborado por médico, com especialização em medicina do
trabalho, ou engenheiro ou arquiteto com especialização em segurança do
trabalho”, escreveu a AGU no recurso. 

A Advocacia-Geral citou ainda doutrinas que reconhecem a
forma temporária dos pagamentos ao não incorporá-los automaticamente aos
vencimentos, nem no cálculo da aposentadoria. A AGU também frisou que o Poder
Judiciário não pode conceder aumentos remuneratórios sob risco de violação ao
princípio da separação dos Poderes. 

Os dois casos foram decididos favoravelmente pela Primeira e
Segunda Turmas do TRF-5, garantindo a aplicação da norma federal. Para o
procurador federal Leonardo Barbosa, as decisões são importantes precedentes
para outras discussões judiciais sobre o mesmo tema, além de gerar uma
“economia significativa” de recursos ao erário.

Fonte: Assessoria de Imprensa da AGU

Share This

Escrever um comentário